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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Retrato gigante de criança no Paquistão lembra mortos por drones dos EUA 



A ideia é fazer com que os operadores dos aviões não-tripulados vejam a imagem antes de disparar os mísseis

Opera Mundi, por Felipe Amorim, em 7/4/2014

Com o objetivo de chamar a atenção para a enorme quantidade de ataques com drones realizados pelos EUA no Paquistão, um pôster gigante com o rosto de uma criança foi instalado por um grupo de artistas na região noroeste do país, uma das mais atingidas.
A ideia dos criadores da instalação é fazer com que os operadores de drones tenham, da tela digital da qual disparam seus mísseis, a real dimensão do que estão executando: "não é um pontinho anônimo na paisagem, mas o rosto de uma criança vítima e inocente".
O projeto foi batizado de "Not a Bug Splat", em referência ao termo usado pelos próprios militares norte-americanos ao se referirem aos civis mortos em ataques. Conforme relatado pela revista Rolling Stone, o Exército descreve as "casualidades" como "bug splat" (algo como "inseto esmagado", em tradução livre) já que "ver um corpo no monitor verde acinzentado dá a impressão de um inseto sendo amassado".
O nome da criança que estampa o poster é desconhecido, mas, de acordo com a entidade que promove a campanha, o pai, a mãe e dois irmãos pequenos da menina foram mortos em ataques com drones em Khyber Pukhtoonkhwa, região em que mais de 200 crianças já morreram vítimas de bombardeios, segundo estimativas.
Os bombardeios com aviões não-tripulados são uma das principais ferramentas norte-americanas na chamada Guerra ao Terror, empreendida após os atentados de 11 de Setembro de 2001. O programa de drones começou em 2004 sob o governo George W. Bush, mas ganhou força com a chegada de Obama à Casa Branca.


A região noroeste do Paquistão é o alvo majoritário dos ataques. Na área, próxima à fronteira com o Afeganistão, predominam forças tribais acusadas de colobarar com o talibã e organizações terroristas. O assunto causa polêmica no país. Oficialmente, o governo paquistanês mantém um acordo tácito com os EUA permitindo que os ataques (ou, pelo menos, alguns deles) sejam realizados. No entanto, Islamabad tem vindo a público para condenar a prática norte-americana e a constante quebra de soberania.


Embora os EUA digam repetidas vezes que os bombardeios com drones sejam a mais eficaz das armas usadas no combate à Al Qaeda, há estudos que mostram o contrário.

 Um levantamento que pode ser visto no gráfico interativo "Out of Sight, Out of Mind" mostra que dos mais de 3 mil mortos contabilizados pelo projeto desde 2004, apenas em 1,5% dos casos houve confirmação de ligações com atividades terroristas.

"QUE MEDIDAS IMPOPULARES AÉCIO NEVES E EDUARDO CAMPOS PROPÕEM?"


Óbvia e dura, a pergunta da senadora Gleisi Hoffmann, feita hoje em entrevista ao 247, cobra dos presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) mais transparência sobre o que ambos vêm dizendo a empresários; "Em reuniões fechadas, eles estão prometendo tomar medidas impopulares, mas quais são essas medidas?", questionou ela; "Esfriar a economia? Aumentar a gasolina e a conta de luz? Ou seria produzir desemprego? Dar mais juros aos banqueiros e mais inflação aos especuladores?"

Brasil 247, em 8/4/2014 
Em entrevista ao 247, na tarde desta terça-feira 8, em Brasília, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) dirigiu algumas perguntas duras, mas atinentes à campanha eleitoral, aos presidenciáveis Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. A principal rebatedora do governo ficou intrigada ao ler na mídia que, em ambientes privados, entre empresários, ambos têm assumido a capacidade de tomar medidas consideradas impopulares caso um deles vença as eleições presidenciais de outubro.
- Eu gostaria muito de saber quais são as medidas impopulares que eles estão propondo? Tenho certeza que o povo, especialmente, também está muito curioso em saber, disse Gleisi ao 247, em seu gabinete no Senado.
- Será que eles querem aumentar o preço dos combustíveis? Ou subir as tarifas de energia? Há economistas da oposição defendendo esfriar o crescimento econômico para evitar a inflação. É isso o que eles pretendem fazer, criar desemprego no Brasil?, questiona ela, sem ironia, mirando Aécio e Campos.
A preocupação da senadora, ex-ministra da Casa Civil e principal porta-voz do governo no Senado, faz sentido. Defensora da administração Dilma Rousseff e dos dois governos de Lula, Gleisi teme a repetição histórica de situações do passado, nas quais candidatos se elegeram sem deixar claro, principalmente, o que pretendiam fazer em seus primeiros dias de administração.
- Os presidenciáveis da oposição têm de mostrar ao que vieram. Mas mostrar com transparência e honestidade. Não dá para ter um discurso diante de empresários, e ali prometer medidas impopulares, e depois sair a público como defensor do povo. Para isso, basta que expliquem quais medidas impopulares, afinal, são essas que eles se propõem a tomar?
Gleisi Hoffmann sabe que seu desafio é difícil de ser aceito. Ao 247, ela fez referência ao índice de 12% de apoios obtido pelo ex-presidente Fernando Henrique na mais recente pesquisa Datafolha:
- Os números estão aí para mostrar a quantas anda o último presidente que governou para o mercado. O Brasil não quer mais esse tipo de fórmula que beneficia as elites e prejudica o povo. O retrato está aí, aponta ela, citando Fernando Henrique veladamente.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Setor privado e perfil das faculdades afasta jovens médicos de Medicina de Família











Apesar de a especialidade ser fundamental para o sistema de saúde público, apenas 35% das vagas de residência oferecidas são ocupadas
 RBApor Sarah Fernandes, publicado em 08/04/2014 
Conhecer o paciente desde o pré-natal, saber que um determinado diagnóstico de depressão pode estar ligado a violência doméstica, estudar os hábitos alimentares e as possibilidades de lazer de uma comunidade, encaminhar casos de dependência química para uma assistente social. Essas são algumas atividades dos chamados Médicos de Família e Comunidade, uma especialidade que, apesar de pouco conhecida, consegue resolver 80% dos problemas de saúde das comunidades e é fundamental para o Sistema Único de Saúde.
Mesmo com a importância estratégica, o total de vagas ocupadas de residência na área anualmente não passa de 35%, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Entre as 18.714 novas vagas de residência oferecidas no país em 2014, apenas 1.266 são para a área, segundo o Ministério da Educação. Ainda não foram contabilizadas quantas vagas na especialidade foram ocupadas neste ano.
“É um profissional diferente do médico generalista que vai trabalhar no postinho. A gente trata da saúde da mulher, da criança, faz pré-natal, acompanha saúde do adolescente e problemas de saúde mental”, esclarece a médica de família e comunidade Bruna Ballarotti, que trabalha em uma unidade básica em São Bernardo do Campo, onde também é preceptora de residentes. “Quem vai precisar ir para um hospital? Menos de 5% das pessoas. Quem vai precisar de um especialista? Menos de 20%. O resto pode ser atendido em uma saúde primária bem estruturada.”
Na capital paulista, das cinco vagas oferecidas pela Secretaria Municipal de Saúde para residência nesse segmento este ano, nenhuma foi preenchia. Para contornar o déficit, foi aberto um novo processo seletivo, que ocorreu no último dia 30. Um candidato se inscreveu, mas não compareceu no dia da prova.
O problema se repete pelo país: em Salvador, das 22 vagas oferecidas para residência em Medicina de Família e Comunidade, quatro foram preenchidas. As secretarias municipais de Saúde de Campo Grande e de Manaus também confirmaram dificuldades de atrair residentes para a especialidade. Apenas as prefeituras de Curitiba, Florianópolis e Rio Grande do Sul, todas na região Sul, conseguiram preencher as vagas.

Há soluções para resolver o problema, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Daniel Knupp, como os adotados por países desenvolvidos que possuem um sistema universal de saúde pública. No Canadá, Inglaterra, Portugal e Espanha, por exemplo, a residência médica é obrigatória, com as vagas reguladas pelo Estado, dependendo das necessidades do sistema de saúde. “Que são as necessidades da população”, afirma Knupp. “Nesses países, cerca de 50% das vagas de residência são para Medicina de Família e Comunidade. A oferta de vagas é regulada pelo Ministério da Saúde.”
O médico de família é um profissional que tem interesse pela atividade clínica diversificada, sem se restringir a uma determinada população, a um procedimento específico ou a um grupo de doenças. Ele vai se responsabilizar por uma população com características bastante diferentes e deve estar atento ao contexto social em que essas pessoas estão envolvidas e como ele impacta na saúde delas.
O especialista é considerado a porta de entrada no sistema de saúde e deve acompanhar os pacientes de forma continuada e integral. Apesar de ser uma especialidade também presente na saúde suplementar, o principal local de trabalho é o Sistema Único de Saúde, em ações como o Programa Saúde da Família.
Para o presidente da Associação de Médicos Residentes do Estado de São Paulo (Ameresp), Arthur Danila, a carreira não se torna atrativa pela falta de estrutura. “Existem muitos estudantes com perfil para a medicina de família, mas o médicos não encontram lugares de atendimento adequados, nem um plano de carreira, nem um reconhecimento que o impulsione a ir para essa área, mesmo isso sendo o mais importante para o país. O Estado tem de dar condições para atrair os médicos.”
Knupp discorda. “As políticas de valorização que as entidades médicas defendem são relevantes, mas não têm nem de perto a possibilidade de resolver esse problema da residência. Falta estimulo durante a graduação. Temos pouquíssimos departamentos de Medicina de Família dentro das faculdades para sistematizar os conhecimentos dessa área”, critica. “O estudante não tem um modelo de médico de família na formação. Há um entendimento que o status do especialista com mais inserção no sistema privado, é mais interessante.”
Outro problema, segundo a médica de família Bruna Ballarotti, é a lógica das escolas médicas de privilegiarem a formação dos chamados superespecialistas. “É a lógica da fragmentação, que é interessante para alguns setores da sociedade, mas não para o paciente nem para o governo, que conseguiria ter um profissional que resolve muitos problemas, de forma muito mais econômica. A especialidade não é valorizada.”
Ela, no entanto, afirma que problemas estruturais na saúde pública prejudicam o trabalho dos especialistas. “Trabalho na saúde pública desde 2011 e já fui terceirizada e contratada. Eu preciso ter exames, medicações, fisioterapia e um corpo de enfermagem bem treinado e isso não existe na maioria dos municípios. A vida real nas UBS é muito difícil.”
Para fortalecer a atenção básica, a presidenta Dilma Rousseff criou o programa Mais Médicos, no qual profissionais brasileiros e estrangeiros vão trabalhar no atendimento primário por três anos, recebendo uma bolsa, com prioridade para as áreas isoladas e para a periferias das grandes cidade. Em sua quinta e última fase, iniciada neste mês, o programa incorporará ao SUS 3.745 novos médicos. Atualmente, o Mais Médicos conta com 13.235 profissionais que integram equipes de saúde da família, 74% deles em áreas de extrema vulnerabilidade social.
“A gente não precisa simplesmente formar mais médicos de família, a gente precisa ter um sistema público de saúde de qualidade para as pessoas e a formação de um maior número de médicos de família é uma prerrogativa para isso”, conclui Knupp.

Mais desafios

Segundo o Ministério da Saúde, o governo está trabalhando para universalizar a residência médica no país até 2018, com a criação de 12,4 mil vagas. Entre as prioridades do órgão estão as residências de Medicina de Família e Comunidade, Pediatria, Anestesiologia, Cancerologia Pediátrica, Cancerologia Cirúrgica, Cancerologia Clínica, Cirurgia do Trauma, Cirurgia Geral, Clínica Médica, Medicina de Urgência, Medicina Intensiva, Nefrologia, Neonatologia, Neurocirurgia, Obstetrícia e Ginecologia, Ortopedia, Psiquiatria, Radiologia e Radioterapia.
A procura por residências médicas em Pediatria também registrou queda, mas há dois anos tem voltado a atrair estudantes, segundo a Sociedade Paulista de Pediatria. Na cidade de São Paulo, das dez vagas oferecidas para residência na especialidade, oito foram preenchidas na primeira seleção. A Secretaria de Saúde chamou os candidatos que optaram pela carreira como segunda opção e preencheu todas as vagas na área.
Um dos problemas apontados pela diretora da Sociedade Paulista de Pediatria, Ana Crista Ribeiro, é a baixa remuneração dos pediatras, tento em vista que as consultas são mais demoradas que a média e pagas com os mesmos valores. “Há uma batalha para que passe a ser cobrada a puericultura, que é a pesagem da criança. Parece simples: pesar medir e orientar, mas muito do desenvolvimento do paciente é analisado nesse processo.”

IBGE: produção industrial cresce em sete dos 14 locais pesquisados

Agência Brasil, por Nielmar de Oliveira Edição: Valéria Aguiar, em 8/4/2014

A expansão de 0,4% da produção industrial do país de janeiro para fevereiro deste ano reflete resultados positivos em sete dos 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal/Produção Física Regional (PIM/PF Regional) que o instituto está divulgando hoje (8). Os números indicam que o aumento no ritmo da produção industrial nacional na passagem de janeiro para fevereiro, série com ajuste sazonal, teve como destaque a expansão de dois dígitos assinalada pelo Paraná (18,4%) e o crescimento de 4,7% observado no Amazonas.

Ainda na comparação mensal com ajuste sazonal, os dados indicam que no Rio de Janeiro o crescimento da produção industrial de janeiro para fevereiro foi de 1,0%; em Goiás (0,8%); São Paulo (0,7%);  no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (0,5%), todos com resultados superiores à média mensal de 0,4%.Enquanto no Amazonas o crescimento da indústria registrou pelo segundo mês consecutivo, e passou a acumular em janeiro e fevereiro crescimento de 7,7%; no Paraná o resultado eliminou perdas de 15,9% registradas entre novembro de 2013 e janeiro de 2014.

No Pará a variação foi nula; enquanto nos outros seis estados ou regiões pesquisadas a taxa foi negativa. No Espírito Santo, onde houve a maior retração, a queda chegou a -4,3%, após a produção industrial do estado ter avançado 2,2% no mês anterior; seguido de Pernambuco onde a queda foi de menos 3,9%, depois de quatro meses de resultados positivos consecutivos. Foram os dois estados que registraram as quedas mais expressivas de janeiro para fevereiro.
Como um todo, a Região Nordeste acusou queda na sua produção industrial de fevereiro de 1,7%; o Ceará (- 1,6%); Minas Gerais ( -1,6%) e Bahia ( -1,2%).


LULA DEBATE COM BLOGUEIROS SOBRE TEMAS EM EVIDÊNCIA NO CENÁRIO BRASILEIRO





Brasil 247 8 DE ABRIL DE 2014

Três anos depois de ter saído da presidência, Lula concede na manhã desta terça-feira, 8, entrevista a blogueiros brasileiros, na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Em novembro de 2010, Lula foi o primeiro presidente a conceder coletiva a blogueiros. Logo de saída, o ex-presidente pede aos entrevistadores que contribuam para "acabar com essa boataria toda" e crava apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff: "ela é disparadamente a melhor pessoa para ganhar as eleições", disse. "Eu já cumpri minha tarefa, já me dou por realizado", acrescentou.
PETROBRAS - Sobre a Petrobras, o petista mencionou interesses políticos de quem quer criar a CPI no Congresso - gente que "nunca quis criar CPI, para nada" - e afirma que "não adianta comparar" o valor que a empresa tem hoje e durante o governo FHC. "Se ela vale R$ 98 bilhões hoje, ela valia R$ 15 bilhões durante o governo FHC", lembrou Lula. "O que as pessoas não aceitam? Que a gente fez o regime de partilha", acrescentou, sobre o modelo de extração de petróleo adotada para o pré-sal. "E muitos desses queriam privatizar a Petrobras há pouco tempo", atacou ainda o ex-presidente. 
Lula reclamou mais ações do PT e de setores do governo em defesa da atual gestão. "Tem de levantar a cabeça e enfrentar para valer o debate político", conclamou. "Por exemplo, cadê o blog da Petrobras, que foi tão importante em 2009?", perguntou Lula, referindo-se ao período em que a estatal reproduzia em sua página na internet pedidos de entrevistas de jornalistas. Era a forma, na ocasião, de furar bolhas de especulação feitas por meio da mídia. O ex-presidente comentou sobre a recente queda nas ações da Petrobras: "Bolsa é assim mesmo. Mas ela não pode ser medida só pela bolsa, gente. Ela tem que ser reconhecida por seu conhecimento tecnológico".
CRESCIMENTO - "O País não está crescendo ao ritmo de 5% ao ano, mas faz onze anos que esse governo gera empregos e aumenta a massa salarial. Em que lugar do mundo isso está acontecendo?", questionou. Ele recordou seu tempo de sindicalista, "quando a inflação era de 80% ao mês, não era ao ano não", frisou. "Mas agora vejo o mesmo ministro daquele tempo (Maílson da Nóbrega) reclamando que a inflação está indo para o topo da meta. Ora, eu gostaria que a inflação ficasse em 2%, mas prefiro que se crie empregos do que, como pediram alguns, haja desemprego para combater a inflação".
Lula foi além. "Hoje dizem que falta mão de obra qualificada", registrou. "Que ótimo, porque vinte anos atrás engenheiro tinha de trabalhar fora do país, não tinha o que fazer aqui dentro. Agora, precisamos formar engenheiros". Ainda falando sobre a economia brasileira, o petista disse que "a imprensa não sabe o que está acontecendo no País". Ele ressaltou que a economia está aquém do que ele gostaria, e do que Dilma gostaria, e questionou: "mas quem está na frente do Brasil? O que nós fizemos em 11 anos, algumas revoluções não fizeram em 20", declarou.
CAMPOS – "Tenho uma belíssima relação com o [pré-candidato à presidência] Eduardo Campos, e já tinha uma boa relação com o avô dele, Miguel Arraes. Sou agradecido por tudo o que ele fez no meu governo. Eu lamentei que ele tenha se afastado da base para ser candidato da oposição. Eu não entendo por que ele adiantou o processo. A Marina eu entendo, porque me lembro das divergências que havia quando ela fazia parte do meu governo, o Eduardo eu não compreendo".
SAÚDE - Questionado sobre os problemas na área da saúde, Lula foi firme ao dizer que "não existe possibilidade de dar saúde de qualidade sem recursos". A declaração foi feita depois de uma crítica sobre o fim da CPMF. "A saúde custa caro, o médico custa caro, precisa de equipamentos e laboratórios para que todos tenham acesso. E o SUS é motivo de orgulho para o País", disse o petista. Ele criticou ainda que só são divulgadas "coisas ruins" da saúde. "Só vão atrás de quem está morrendo, ninguém tira foto de quem sai com vida. Mas tem muita coisa boa na saúde também", disse.
ELEIÇÕES NO RIO - Ao responder uma pergunta feita pelo Twitter sobre as eleições no Rio de Janeiro, Lula afirmou, sobre a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) no estado: "Eu acho que é para valer". O ex-presidente, que ressaltou ter uma "profunda relação" com o candidato do PMDB, Luiz Fernando Pezão, acrescentou que Lindbergh "não tem nada a perder, só tem a ganhar". "Ele acha que é o momento dele, e eu acho que ele é um candidato bom, pode tomar cuidado que ele vai crescer e pode até ganhar as eleições", analisou.
CRÉDITO - Lula também comparou o acesso de crédito que o País tem hoje e tinha em 2002, quando ele venceu pela primeira vez as eleições presidenciais. "Em março de 2002, o Brasil só tinha R$ 380 bilhões disponibilizados para crédito em todo o sistema financeiro. Hoje, esse mesmo Brasil tem R$ 2,7 trilhões. Hoje, o pobre consegue chegar no banco e pegar dinheiro sem ser visto como bandido. Esse Brasil nunca ficou tão orgulhoso de si como nos últimos 11 anos", disse.
REFORMA POLÍTICA - O ex-presidente apresentou suas ideias para uma reforma política. "Estou convencido de que só uma Constituinte exclusiva pode fazer a reforma política", cravou ele. "Eu sinceramente acho que não tem outro jeito", acrescentou. "Esse Congresso não fará, não tem condições de fazer, seria contrariar sua natureza", opinou Lula. Para ele, "a reforma política é a mais importante de todas". O petista defendeu que é preciso "mudar o sistema de representação" no País.
FINANCIAMENTO DE CAMPANHA - Lula foi específico em defender o financiamento púbico de campanhas, cláusula de barreira para a criação de partidos -- "o que não pode é meia dúzia de pessoas criarem o seu" - e o conceito de um voto por cidadão. Com isso, Estados pequenos perderiam representação na Câmara dos Deputados, mas os maiores como São Paulo e Minas teriam suas bancadas aumentadas. "Isso hoje não passa porque quem está lá está acostumado assim, mas essa regra, vigente até hoje, é do tempo do Geisel", reclamou.
'MENSALÃO' – "Eu só quero que a verdade venha à tona. A história do mensalão vai ser recontada nesse País, e se eu puder, eu vou ajudar a fazer ela ser recontada. Não vou julgar ninguém, mas não é possível que em mãos de 500 deputados não tenha aparecido nenhuma que recebeu mensalidade", disse Lula. "Como é que uma CPI que começou por conta de R$ 3 mil nos correios terminou no mensalão?", questionou. "Eu acho que nós vamos ter de contar essa história sem pressa.
INDIRETA PARA GLOBO - "Eu cansei de ver dizerem que aquilo foi a maior história de corrupção que já existira nesse País, sem dar os números. Mas depois apareceu uma quantidade de sonegação de impostos quer era muito maior do que tudo o que se falava. Eu tenho mais idade do que vocês, aprendi que a gente não deve ficar nervoso", concluiu o ex-presidente, com ironia. "Mas não vamos abaixar a cabeça. Se você abaixa a cabeça, aprendi isso com a minha mãe, eles colocam uma cangalha em cima".
CONSELHO PARA GUIDO - "Eu falei para o [ministro da Fazenda], Guido Mantega: 'medidas na economia têm de ser explicadas em rede nacional. E a Dilma não tem tempo, vai você. Tem de falar'. Diziam que eu falava demais durante o meu governo, e eu acho isso ótimo. Porque falava mesmo, para mostrar a verdade. Se eu não falasse, quem iria falar por mim?", questionou.
MÍDIA NO MENSALÃO - No caso do mensalão, o massacre foi apoteótico. Eu não vi essa gritaria no caso de Minas. Então são dois pesos, duas medidas. Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros. Deveria ser assim para todos. Eu acho que o que está acontecendo com o Zé Dirceu é um abuso muito grave, eu acho que ele deveria estar em prisão domiciliar.
SOBRE JOAQUIM BARBOSA E STF - "As pessoas perguntam: você se arrependeu de indicar o [presidente do STF, Joaquim] Barbosa? Eu digo: não. Porque na época não havia o mensalão, não o indiquei pra julgar o mensalão. Eu indiquei porque eu queria um advogado negro na suprema corte. O comportamento dele é de inteira responsabilidade dele. Eu acho que a suprema corte tem que se pronunciar nos autos do processo. Eu não posso ficar falando de você o que vou fazer com você, preciso pegar os autos e decidir. Alguns inclusive mentiram", declarou Lula. Ele também se pronunciou sobre "a teoria do domínio do fato", segundo ele, "um achado extraordinário". "Você é pai daquela criança que fumou maconha, você tinha que saber", exemplificou.

segunda-feira, 7 de abril de 2014


Há corrupção na Petrobras? E na imprensa? E no Datafolha?



Tijolaço, por Fernando Brito, em 7 de abril de 2014 


Se me perguntassem se há corrupção na Petrobras, eu responderia “sim”.
Aliás, responderia “sim” se me perguntassem se há corrupção em qualquer empresa ou instituição, pública ou privada.
Como dizer que não há nenhuma irregularidade em uma empresa que emprega, próprios ou terceirizados, mais de 200 mil pessoas? Que tem dezenas de milhares de fornecedores, desde grampos de papel a navios imensos?
Pode haver, como pode haver na Shell, na Chevron, na Statoil…
E o que isso quer dizer?
Nada.
Haja ou não haja, o resultado seria o mesmo, dadas as circunstâncias.
Passem um mês me chamando de ladrão em todos os jornais e televisões e depois façam uma pesquisa sobre minha reputação.
A pesquisa Datafolha sobre corrupção na Petrobras é exatamente isso: a colheita do que foi plantado.
As mesmas perguntas poderia ser feitas de outra forma e dariam resultados ao inverso.
Você acredita que a Presidenta Dilma fez bem em apontar o que achou uma operação suspeita na Petrobras?
Você acha que a Petrobras é uma empresa com mecanismos de controle rígidos e profissionais?
Mas a pesquisa não é uma pesquisa, é uma peça de propaganda.
Na verdade, de uma campanha, que não é de hoje e nem de ontem.
E que não vai terminar, ao contrário, só vai aumentar.
Quanto mais houver petróleo no Brasil, maior serão as tentativas de desmoralizar a sua guardiã, a Petrobras.
Se houve ou não houve um negócio irregular na Petrobras é uma questão: é apurar e responsabilizar, exatamente o que o Governo e a direção da empresa estão fazendo.
Aliás, só o que não estão fazendo é assumir a defesa política da empresa, quanto à administrativa não há nenhum reparo a fazer.
A propósito, há corrupção nas pesquisas de opinião pública ligadas à política e às eleições?



Sheherazade teve o que mereceu


DCM, postado por Paulo Nogueira, em 6/4/2014

Rachel Sheherazade pode se juntar a Heisenberg e cantar com ele a música que fecha gloriosamente Breaking Bad: guess I got what I deserved. Tive o que mereci.
Se for confirmado que ela está fora do SBT, ela terá o que mereceu.
Sheherazade rompeu um limite no comentário em que aplaudiu justiceiros. Se mesmo depois ela não se deu conta de que estava aplaudindo um crime, é porque ela é sem noção.
O que ela não imaginava provavelmente, em sua arrogância cega, era a reação de indignação que suas palavras despertariam entre todas aquelas pessoas que não podem ser caracterizadas como direitistas raivosos.
Ela poderia ter suavizado o problema se tivesse, nem que fingidamente, pedido desculpas pelo que disse. Não. Ela acelerou na curva, e o precipício era a consequência inevitável.
O SBT – mais uma vez, caso se confirme seu afastamento – demorou para agir. Aparentemente Sílvio Santos só se comoveu quando começaram a circular rumores segundo os quais o governo estaria estudando a verba anual de 150 milhões de reais que coloca em publicidade oficial no SBT.
Ela está fora do ar. A justificativa oficial da emissora é que se trata de férias, mas Sheherazade teria que sair de férias mês sim, mês não para esta explicação fazer sentido. Alguém lembrou que ela tirou férias recentemente.
Há aspectos cômicos num episódio essencialmente dramático. Dias atrás, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse numa entrevista que achava o caso grave.
Janot disse que liberdade de expressão não pode ser confundida com incitamento ao crime. O engraçado é que ele afirmou que não tinha visto o vídeo ainda.
Ou ela vive num planeta paralelo, dada a repercussão formidável do comentário, ou estava fugindo do jornalista. Qualquer que seja a alternativa, foi um momento de comédia na história.
Sheherazade parecia assustada nas últimas semanas. Em sua conta no Twitter, ela pediu aos admiradores que assinassem uma petição virtual pela sua permanência no SBT.
O tom do pedido mostrou que ela não aprendeu nada com o episódio. Ela se apresenta, numa brutal inversão de papeis, como vítima.
As viúvas e os viúvos dela não devem chorar. A plutocracia cuidará bem de Sheherazade. Todos os jornalistas que defendem os interesses do 1% estão a salvo dos problemas econômicos que podem afligir os demais em caso de perda de emprego. Até o “historiador” Marco Antonio Villa, com seus constantes e bizarros  erros de avaliação, continua a aparecer com destaque na mídia.
O caso ensina muita coisa. Demonstra como é falaciosa a tese da “mídia técnica” que, até recentemente, governou as administrações do PT.
Colocar dinheiro público com base apenas em audiência pode fazer com que o governo, indiretamente, estimule o crime.
O mais interessante, em tudo, foi a força da opinião pública. A sociedade rejeitou o incentivo à violência feito por Sheherazade.
Por isso, e só por isso, ela teve o que mereceu.